Segundo a nova lei do tabaco, existe a possibilidade de se proibir o consumo de tabaco nos estabelecimentos prisionais.Não quero nem vou entrar na discussão da incoerência de se ponderar em criar salas de chuto mas proibir o tabaco, vou sim abordar o assunto na vertente que realmente interessa, o impacto na vida das DCs.
Tema recorrente da indústria cinematográica, a correspondência entre DCs solitárias (mas não desesperadas) com reclusos, tem ocupado uma parte significativa das suas vidas. É sabido que a chegada do carteiro é o ponto alto do dia de uma DC, não só pelo possível momento intenso de sexo voraz, bruto e sem compromisso, mas também porque este pode trazer uma carta proveniente do Linhó ou Vale de Judeus cheia de arrependimento, esperança e desejo.
Do lado contrário, temos reclusos que, fartos da consumação forçada no duche pelo Beto Quim e/ou pelo Navalhas, esperam anciosamente pelo dia em que chega a correspondência e pelo momento de auto-satisfação no silêncio e frio das suas celas.
Se lhes retiram o cigarro o processo fica incompleto, é o Benfica sem o Eusébio, é o gelado sem a cereja, o Tratado de Lisboa sem as assinaturas, o que poderá levar à extinção da muy nobre e tradicional troca de correspondência.Se os querem castigar, ponham-os a ler Paulo Coelho mas o cigarro não lhes tirem!
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