11.10.07

O Amolador - O bom amigo da Dona de Casa



Raramente se vê o executante de tão nobre ofício, no entanto, o bradar característico e quase orgásmico da sua gaita - pruiiiiiiiiiiiiipruáááááááá pruiiiiiiiiiiiiiiipruáááááááá- é sem dúvida um dos sons fetiche de qualquer Dona de Casa à moda antiga. Para os meus lados, ainda se ouve de vez em quando, mas, mal corro para a janela para finalmente o ver, esfuma-se como um espírito que se foi com o vento ou um lobisomem que, numa noite de lua cheia, uiva, mas não se vê… A minha vizinha, senhora que terá uns 42 aninhos, mas que parece ter a idade daquela posição que mistura em simultâneo um lingus com um latio, bem corria no outro dia em busca do Sr. Amolador. Em vão… Por mais que gritasse: “Ó Sr. Amolador venha afiar-me a faca do pão e a tesoura com que me aparo!”, nada! Há muito que o Sr. tinha desaparecido! Mas será que alguma vez lá esteve? Ou o som da gaita não é mais do que uma manifestação de um ser do além?

As Donas de Casa têm um papel fundamental na manutenção desta missão, repito, missão! Não se trata de uma profissão. A não ser que sejam realmente fantasmas, os amoladores não podem ganhar a vida com isto, pois fogem dos clientes. Além disso, depois da invenção das incríveis e únicas facas Ginsú, quem precisará de recorrer ao amolador?

Apesar disso, o som da gaita é fundamental para a humanidade. O que seria dos nossos descendentes sem o pruiiiiiiiiiiiiiiiiiiipruááaáááaááa? O que seria deles sem poderem dizer aquela expressão: “Estou a ouvir o amolador, amanhã vai chover!” (por falar nisso, já alguém reparou se chove mesmo? É que se chove, significa que eles são mesmo seres do além ou, pelo menos, amigos do Antímio de Azevedo, o único meteorologista em que realmente podemos confiar).

Qual o papel da Dona de Casa na preservação do Amolador? Simples: contribuir para a alteração do core business da função. Em vez de amolarem facas e outros objectos cortantes, passariam a amolar as cuecas fio dentário das Donas de Casa (sim, Dona de Casa que se preze, usa um fio daqueles bem fininhos e contundentes). Haverá objecto mais cortante e perigoso do que uma cueca fio dentário bem amolada? Não me parece… Desta forma, as Donas de Casa passariam a andar mais protegidas, por exemplo, dos maridos que chegam a casa naquele estado entre o sóbrio e o coma alcoólico que os faz desejar as zonas mais proibidas do corpo das suas esposas; poderiam receber no seu lar, em camisa de noite, o canalizador, sem sofrerem aquele olhar de cão faminto que sonha em desentupir os canos àquela respeitável senhora; poderiam espantar as testemunhas de Jeová com uma simples frase “espere aí que eu vou buscar a minha cueca amolada”.
Não tenho duvidas que os amoladores, finalmente, tornar-se-iam visíveis e palpáveis. Já estou a ver as terras de Portugal cheias de amoladores e ilustres senhoras aos gritos: “Ó Sr. Amolador, por favor, venha amolar-me a cueca, porque o meu marido anda a pôr a pata na poça!” Seria bonito passarmos os dias a ouvir um“pruiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiipruáááaááaáááa” feliz, em vez daquele melancólico que anuncia dias de chuva.
Queridas,
Para que a gaita nunca se cale, aceitem esta sugestão!

Aquele beijo, do sempre Vosso,

1 comentário:

Mola de Berlim disse...

A utilização da cueca fio dentário, tem vantagens quer económicas quer ambientais. Se as donas de casa portuguesas utilizassem esse tipo de roupa intima, as "máquinas de roupa" (expressão utilizada para o acto unitário de colocar roupa numa maquina de lavar, juntar detergentes e amaciador - para os leitores que não são donas de casa)diminuiam em cerca de 27%/ano. è fazer as contas em consumo de água, electricidade, esgotos, etc.

É facilmente observável, que o espaço ocupado pela cueca tradicional dava para 5 dentárias.

I rest my case.

Cumprimentos Molianos.